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Eu nasci e fui cultivada.
Me estragaram, me bateram, me deram carinho, me mostraram caminhos...
Um dia eu questionei tudo isso, e achei um caminho alternativo.
Me acariciavam, e eu não sentia.
Me batiam, e não doía.
Desistiram de me estragar e resolveram me amar.
Eu estava sozinha, cercada por paredes de espelho.
Por vezes colava a testa nas grades do chão e observava tudo e todos.
Puxei algumas pessoas para lá...
O tempo passou. As pessoas lá de baixo sumiram. Quando olho só vejo desconhecidos.
Resolvi me juntar a todos.
Diante de todos sou como qualquer uma.
Não sabem de onde venho, não sabem o que sinto, não sabem o que sei.
O medo da incompreensão me faz calar.
A vontade de gritar me enlouquece.
Sei receber.
Não sei dividir.
Quero dividir, quero dividir.
Não, não é rápido.
Sim, eu sou impaciente.
Eu desisto fácil. Subo de novo e olho pro teto que reflete memórias.
Não sei ser.